A METAMORFOSE DA ADVOCACIA NO BRASIL

A METAMORFOSE DA ADVOCACIA NO BRASIL

Inteligência artificial e direito juntos em uma única discussão, quem poderia imaginar isso há alguns anos atrás? O direito é uma das faculdades mais antigas no Brasil. Para sermos mais específicos, a primeira turma de bacharéis em ciências jurídicas formou-se em 1832. Hoje, quase dois séculos depois, muita coisa mudou, e os profissionais da categoria temem o fim da profissão. Confira neste artigo.

A presença da tecnologia alterou definitivamente a forma como vivemos, nos comunicamos e suprimos nossas necessidades. Como consequência, diversas atividades sofreram adaptações, para não sucumbirem às novas demandas. Em alguns casos, houve até a extinção de certas atividades, substituindo-as pela robotização e a tecnologia.

A discussão acerca deste tema é antiga nas indústrias, mas, inesperadamente, ela alcançou o direito e tornou-se tema inquietante e desafiador dentro da OAB do Rio Grande do Sul. Será que a inteligência artificial será capaz de substituir o trabalho de milhares de advogados no futuro, inutilizando o trabalho da advocacia?

Foi com base nesta questão que um grupo de advogados de Porto Alegre fez um intenso trabalho, com o seguinte tema: “Advocacia 4.0: você está preparado para as alterações no cenário jurídico?”. Essa realidade causa medo pelas incertezas, acompanhadas de uma possível redução das oportunidades de trabalho para estes profissionais e, mais ainda, pela dificuldade em se assegurar a transparência no respeito aos direitos e deveres.

Para pautar a discussão, foram convidados advogados pesquisadores de renome internacional, discutindo o real impacto da inteligência artificial na área jurídica. Porto Alegre foi protagonista do 1º Congresso relacionado à Inteligência Artificial e ao Direito no Brasil.

Dentre os temas abordados, encontram-se questionamentos sobre como será efetivamente utilizada a tecnologia e qual será o seu nível de poder, de automação na área jurídica e necessidade de adaptação da classe foram os de maior debate.

Apesar do receio compreensível de muitos, a inteligência artificial pode, também, trazer consigo uma série de benefícios para os escritórios, otimizando processos, reduzindo as burocracias, trazendo novas abordagens e metodologias e agregando competitividade.

A discussão faz lembrar outro tema recente onde o direito esteve em pauta. Recentemente o Conselho Nacional da Educação (CNE) colocou novamente em pauta a alteração da grade curricular dos cursos de direito, em concordância com a Ordem dos Advogados do Brasil. A medida tem como principal propósito adequar o ensino à realidade dos escritórios de advocacia em todo o Brasil.

A proposta não altera a carga mínima do curso, que é de 3,7 mil horas ao longo dos 5 anos de curso. O que acontecerá é que, agora, aproximadamente metade dessa carga será composta de disciplinas optativas. Segundo Antonio Freitas, relator da proposta no CNE, a medida visa adaptar o currículo às demandas de cada região e ao interesse dos discentes, aproximando-os do ramo do direito que pretendem efetivamente seguir após a formatura.

Tal discussão teve origem tendo em vista o rápido crescimento no número de vagas em direito ofertadas em todo o Brasil, carecendo de medidas e fiscalização constantes, a fim de zelar pelo nível de qualidade do ensino. Entre opiniões diversas e temas espinhosos, um ponto converge entre todos: a necessidade de qualificação e atualização por parte dos advogados.

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